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terça-feira

Nas pré-incubadoras, idéias se tornam produtos e empresas

Em nove meses, o que era apenas uma idéia na cabeça do estudante de engenharia química Emílio Bellini, de 23 anos, virou um projeto que está sendo pesquisado e testado nas refinarias da Petrobrás em Paulínia (SP). Até o final do ano, a aposta do estudante é que não exista mais projeto - e sim, negócio. “Com o produto pronto, buscaremos a patente e os clientes”, conta ele, que desenvolveu na Universidade de Campinas (Unicamp) uma tecnologia para reduzir a perda de água em uma das fases do refino do petróleo.

Para transformar simples propostas em produtos de verdade, Bellini e outros jovens empreendedores estão aproveitando um novo mecanismo: a pré-incubação em universidades ou centros de pesquisa. As pré-incubadoras são instituições de apoio aos empreendedores. Elas ajudam no desenvolvimento de empresas que ainda não possuem um produto ou serviço para mostrar a futuros clientes - ou seja, só existem na cabeça do empreendedor. Por isso, estão um passo à frente das incubadoras tradicionais que já possuem, pelo menos, um protótipo do produto.

No caso do estudante, a evolução rápida ocorreu a partir da pré-incubação na Inova, a agência de inovação da Unicamp. Desde janeiro, ele recebe auxílio de acadêmicos e executivos de grandes companhias para mapear o mercado e montar um plano de negócio. Mais: foi por meio da pré-incubadora que surgiu o contato com a Petrobrás, que será a primeira cliente da nascente empresa.

“Transformamos em inovação o que era, até então, apenas uma idéia genérica”, diz o coordenador da pré-incubação da Agência Inova, Paulo Lemos. A Unicamp tem oito projetos pré-incubados, o dobro de quando começou, em 2005. Nesta semana, a instituição anunciou a ampliação do serviço, que passou a abranger todas as áreas da universidade - e não somente as tecnológicas. A expectativa é chegar a pelo menos 20 projetos pré-incubados.

A nova fase da pré-incubadora inclui uma parceria com a Ibmec São Paulo. Professores e alunos do Ibmec vão ajudar os futuros empreendedores a criar o plano de negócios e dar noções de finanças e administração. “A idéia é fomentar a inovação tecnológica, sem perder o ponto de vista mercadológico”, diz o coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec-SP, Marcos Hashimoto.

Catalisadoras de idéias, as pré-incubadoras estão ganhando força no País nos últimos anos. Não há números oficiais, mas estima-se que haja uma pré-incubadora para cada três incubadoras no Brasil. “O movimento começou recentemente, visto que as incubadoras já existem há mais de 20 anos”, diz Rogério Abranches da Silva, coordenador do Núcleo de Empreendedorismo do Instituto Nacional de Telecomunicação (Inatel), do pólo eletroeletrônico de Santa Rita do Sapucaí (MG).

A pré-incubadora da Inatel é uma das mais antigas. Por lá já passaram 18 projetos desde 2002. “Criamos o mecanismo para evitar o engavetamento de idéias acadêmicas que poderiam virar negócios”, diz Silva. Após nove a 12 meses de pré-incubação, o futuro empreendedor sai com um plano de negócios nas mãos e um protótipo do produto construído. Pronto para entrar por conta própria no mercado ou ser incubado.

Foi o que aconteceu com Kleber Teraoka, de 30 anos, que acaba de deixar a pré-incubadora da Unicamp, após um período de dois anos. A idéia inicial, de criar softwares para celulares, sofreu uma adaptação depois de uma consultoria com a MTV Brasil. “Havia muita gente fazendo igual e a distribuição seria complicada. Em vez de jogar fora a tecnologia, adequamos para outro tipo de produto.” Na semana passada, a empresa de Teraoka foi aprovada no edital de incubação da Softex, onde ficará por mais alguns anos. Com a companhia criada e o produto pronto, o esforço agora é na captação de recursos. “Chegou a hora de dar a cara para o mercado.”

Fonte: O Estado de São Paulo em 16/10/07

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