Descontraído, mas um pouco sem graça, Guilherme Leal, dispara: "Me pediram para não falar, mas estamos comprando ações como pessoas físicas". As ações a que ele se refere não são de qualquer empresa. São da fabricante de cosméticos Natura, que abriu seu capital em maio de 2004. Leal também não é uma pessoa qualquer. É um dos três controladores da companhia, ao lado de Luiz Seabra e Pedro Passos.
Leal fez a revelação na terça-feira, quando os três acionistas receberam o Valor para uma entrevista - a primeira conjunta em quase três anos. A decisão dos sócios de comprar ações tem um importante significado. Mostra que eles acreditam que o mercado não está avaliando corretamente a empresa. O valor de mercado da Natura, que chegou a R$ 12,9 bilhões no fim do ano passado, caiu a R$ 9,44 bilhões no mês passado - uma redução de 26,82%. As ações ordinárias foram negociadas em setembro por menos de R$ 20, o que não ocorria desde o início de 2006.
A lua-de-mel do mercado com a companhia terminou no fim do ano passado, quando a Natura divulgou os resultados do terceiro trimestre, um recuo no lucro de 16,8%, e a empresa admitiu que tinha falhado nas ações promocionais de Natal. "Houve uma quebra concreta das expectativas. Vínhamos crescendo a uma taxa de 45% ao ano", explica Leal. Desde então, as ações da companhia não mais se recuperaram. A crise piorou quando surgiram boatos de que a Natura estaria sendo vendida para a Avon. "Não há nada disso. Não foi feita sequer uma proposta", afirma Leal. "Não estamos abertos a isso", completou Seabra, que há 38 anos começou a trabalhar com cosméticos como funcionário de uma loja nos Jardins, em São Paulo. Era o início da história da maior fábrica de cosméticos do país, hoje com uma participação de mercado de 22,8%.
Ao longo desses quase 40 anos, Seabra, Leal e Passos admitem que uma única vez chegaram a pensar seriamente em uma proposta de venda da empresa. Entre 1996 e 1997, eles contrataram um banco de investimentos para vender uma participação minoritária do capital para um investidor estratégico. O objetivo principal era ampliar o acesso a novas tecnologias. Acabaram por receber uma proposta de US$ 800 milhões por todo o capital. "Chegamos à conclusão de que, se quiséssemos manter nossos valores, tínhamos de ficar no controle", afirma Passos. Segundo ele, seria muito difícil perder autonomia e trabalhar sob a orientação de uma megaorganização.
O tempo mostrou que valeu a pena manter-se no controle. Em 2004, quando uma participação de pouco mais de 25% da empresa foi colocada na bolsa, os controladores arrecadaram cerca de R$ 770 milhões e ainda ficaram com 73% do capital. A partir da abertura de capital, a companhia disparou. O faturamento, que em 2003 tinha sido de R$ 1,32 bilhão, alcançou R$ 2,76 bilhões no fim do ano passado. O número de funcionários quase dobrou: saindo de 2,8 mil para 5,1 mil.
Em 2005, a Natura comemorou como nunca o fato de ter ultrapassado a rival americana Avon no que é considerado o índice mais importante das vendas diretas, o volume de negócios - que inclui a margem das revendedoras. Chegou a R$ 4,4 bilhões, contra R$ 4 bilhões da Avon. No ano passado, o número alcançado pela Natura foi de R$ 5,4 bilhões e a Avon deixou de divulgar o resultado.
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A companhia passa por transição: é preciso dar conta do crescimento e se preparar para o longo prazo
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Mas a megaestrutura também trouxe problemas, como altos custos administrativos e menor agilidade. O custo de produtos vendidos chegou a 32% da receita líquida. As despesas com vendas, que incluem gastos com divulgação, contratação de promotoras e expansão das operações internacionais, subiu de 31,6% da receita líquida no primeiro semestre do ano passado para 33,5% no mesmo período deste ano.
O forte crescimento afetou os resultados. A companhia registrou de janeiro a junho praticamente o mesmo lucro do primeiro semestre de 2006, de R$ 210 milhões. O resultado operacional continua subindo, mas em ritmo mais lento. Entre 2003 e 2004, o salto foi de 71% de 2004 para 2005, 34,94% e, no ano seguinte, a alta foi de 14,2%. "Isso é uma crise? Me dá mais dessa crise. Temos uma margem Ebitda (geração de caixa operacional) de 25%", diz Leal. Ele admite, porém, que a empresa passa por um momento de transição, em que é preciso dar conta do crescimento e se preparar para o longo prazo.
Essa fase inclui mudanças importantes. Um deles é alteração no processo de trabalho com a criação das células de produção, que teria um aumento da produtividade. Embora os acionistas não admitam, o Sindicato dos Químicos diz que a pressão pelo aumento da produtividade nunca foi tão forte e os empregados já ameaçam entrar em greve (ver texto abaixo). Os três conselheiros da companhia dizem que o cumprimento de metas sempre existiu. "O que aumentou foi a nossa visibilidade e não a pressão por resultados", disse Leal.
"Há um compromisso da governança da empresa em manter um equilíbrio entre resultados e os nossos valores, não dá para conseguir um em detrimento do outro", disse Passos. Aliás, os tão propagados valores da Natura - como sustentabilidade e bem estar - continuam muito forte e presente no discurso de todos eles.
Outra correção da rota foi feita com as consultoras. A partir de agora, uma orientadora passa a cuidar de 135 consultores - antes era uma promotora para 600 mulheres - e passa a ser remunerada pelo ganho das demais. Há um projeto-piloto no Centro-Oeste, mas a idéia é expandir para o país. A empresa seguiu o modelo da Avon. Outra mudança é o aumento do investimento em publicidade e em campanhas de produto - não apenas institucionais.
Fonte: Valor Online em 18/10/2007
Autora: Daniela D'Ambrosio e Raquel Balarin
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