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quarta-feira

Consultoria a preços baixos

As empresas juniores mantidas pelas universidades podem ajudar pequenas e médias empresas a transpor obstáculos do crescimento a um custo acessível.

No início de 2002, o empresário paulista Celso Amil, um dos sócios da Ilha da Massagem, empresa especializada em massagens expressas, com quiosques espalhados por shopping centers e aeroportos de São Paulo e do Rio e Janeiro, decidiu que era hora de expandir seus negócios. Sem ter uma idéia clara do caminho a seguir, contratou uma consultoria e encomendou um plano de crescimento baseado num sistema de franquias. Em vez de contratar os serviços de uma consultoria privada, Amil optou por um escritório gerenciado por estudantes universitários de graduação -- um tipo de consultoria conhecido pela denominação de empresa júnior. A escolhida foi a FEA Júnior, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. "Os garotos fizeram um bom trabalho e me senti muito bem assessorado", diz Amil. "Eles cumpriram o que foi combinado e me apresentaram um modelo de franquia bem-estruturado." A implementação desse projeto ainda está em andamento. Hoje a Ilha da Massagem conta com seis pontos -- o triplo do que na época da contratação do pessoal da FEA.
Assim como Amil, um número crescente de pequenos e médios empresários recorre todos os anos aos serviços de empresas juniores. Eles querem ajuda especializada para solucionar problemas e consolidar seus negócios. Dados da Brasil Júnior, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores, revelam que as 600 filiadas à entidade realizam anualmente 2 000 projetos de consultoria. São trabalhos muito diversos. Pode ser a formatação de planos de negócios, a realização de pesquisas de clima organizacional, o desenvolvimento de softwares de automação para escritórios, a criação de novas formulações farmacêuticas ou a elaboração de projetos de instalações elétricas, entre muitos outros.
Mais da metade das empresas juniores está atrelada a faculdades das áreas de ciências humanas, com destaque para os cursos de administração, economia e contabilidade. Cerca de um terço pertence ao setor de exatas, sobretudo na área de engenharia. O restante tem atuação multidisciplinar ou na área de ciências biológicas. O retrato do setor revela ainda que cada empresa júnior envolve em média 25 universitários -- o que significa pelo menos 15 000 empresários juniores no país.
As empresas juniores costumam ter uma diretoria com presidente, conselheiros e estagiários. O trabalho obedece a um fluxo comum. Depois de uma visita ao cliente, os universitários fazem um diagnóstico do problema e apresentam uma proposta para solucioná-lo. Com o projeto aprovado, começa a fase de execução, cuja duração varia em razão da natureza do trabalho -- pode ser de poucos meses a mais de um ano. O valor também oscila muito e normalmente depende do tipo de tarefa a ser feita e das horas trabalhadas -- exatamente como numa consultoria privada.
A principal vantagem das empresas juniores é o preço. "Cobramos cerca de 40% do valor pedido por engenheiros já formados", afirma Raphael Carvalho, presidente da empresa júnior Hidros, ligada à Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Na FEA Júnior, os preços giram em torno de 5 000 reais, enquanto na empresa júnior da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) podem chegar a 12 000 reais. O pagamento costuma ser parcelado pelo número de meses que dura o projeto.
As empresas juniores cobram valores reduzidos porque são sociedades civis com objetivo educacional, sem fins lucrativos, e contam com uma estrutura de custos fixos enxuta -- os alunos não são remunerados e não precisam pagar aluguel, pois tudo funciona nas dependências da faculdade. Outro ponto positivo é que, embora os universitários não tenham grande experiência, estão geralmente atualizados em relação aos conhecimentos acadêmicos e teóricos de seu campo de atuação, além de motivados para colocá-los em prática. Os alunos não ficam completamente sozinhos. Os projetos contam com supervisão e acompanhamento de professores com vivência profissional.
Existem alguns riscos na contratação desse tipo de serviço. A possibilidade de descumprimento de prazos é um deles. "Como os alunos precisam se dividir entre a sala de aula e as atividades da empresa júnior, pode ocorrer atrasos na execução dos projetos", afirma Marcus Andrade, gerente de busca e seleção do Instituto Endeavor, organização não-governamental que estimula o empreendedorismo. Se isso acontecer, projetos previstos para terminar em dois meses podem, eventualmente, levar quatro para ficar prontos. Por fim, os resultados de uma mesma empresa júnior não são padronizados, pois dependem da qualidade dos universitários que participam de um ou outro trabalho.
Por tudo isso, aconselham os especialistas, são necessários certos cuidados na hora de contratar esses serviços. Deve-se dar preferência a empresas vinculadas a instituições de Ensino Superior de prestígio. É melhor ainda se a empresa júnior tiver acordos com consultorias profissionais, como é o caso da Empresa Júnior da FGV-SP, que é parceira da McKinsey, a maior consultoria de estratégia do mundo. "Os consultores acompanham alguns projetos e dão treinamento aos alunos", afirma Caio Zenatti, presidente da empresa júnior da FGV-SP. Outra recomendação é que, antes de fechar o negócio, o empreendedor visite a empresa e informe-se sobre o portfólio de clientes. Também é importante que o trabalho contratado tenha um foco específico e um objetivo claro. "O risco de estabelecer um escopo abrangente é ter um resultado final superficial", diz Andrade, do Endeavor. Os dois lados da moeda:

Prós
Baixo custo - devido aos fins educativos, cobra menos da metade do que a média do mercado
Supervisão - os projetos são orientados por professores com experiência em outros trabalhos
Atualização - há possibilidade de obter informações sobre as inovações de determinada área

Contra
Atrasos - o projeto pode ser deixado de lado na época de provas, causando atrasos no cronograma
Incertezas - o resultado vai depender, em parte, da qualidade dos alunos responsáveis por ele
Inexperiência - a vivência de mercado não é o forte dos alunos, que ainda estão em formação.

Segundo Antônio Carlos Matos, gerente de orientação empresarial do Sebrae de São Paulo, projetos com objetivos técnicos são especialmente indicados para ser tratados pelos empresários juniores, como pesquisa de mercado, diagnósticos específicos, desenvolvimento de projetos e produtos na área de tecnologia da informação ou engenharia. "Por outro lado, alguns assuntos não são adequados a esse tipo de profissional ainda em formação, como os que envolvem planejamento estratégico, negociação de preços e gestão de pessoas", diz. "Além do conhecimento técnico, exigem uma larga experiência de mercado e uma visão de longo prazo, algo que os universitários ainda não têm."

Fonte: Portal Exame em 08/03/2007
Texto: Yuri Vasconcelos

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