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segunda-feira

Petrobras coloca a CVM em saia justa

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - o xerife do mercado de capitais brasileiro - tem pela frente uma de suas mais difíceis tarefas, a de investigar a possibilidade de vazamento e uso de informação privilegiada (o "insider information") no caso do campo de Tupi, da Petrobras. Não apenas por ser uma estatal e a maior empresa da bolsa brasileira, mas também pelo fato de envolver nada menos que o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo publicou o jornal "Folha de S. Paulo" na sexta-feira, o presidente teria contado aos governadores que o acompanharam na viagem para o anúncio da Copa de 2014, em 30 de outubro, que a Petrobras anunciaria descobertas que aumentariam em 50% as reservas de petróleo do país. A CVM terá de descobrir se pessoas usaram a informação sobre o campo de Tupi - antes de ela se tornar pública - para negociar ações.



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Autarquia irá investigar chance de vazamento
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À primeira vista, as negociações com as ações da Petrobras não caíram no filtro da CVM. "Não detectamos nenhuma movimentação atípica com os papéis, nem no volume financeiro e nem na oscilação de seus preços", disse ao Valor o superintendente de relações com o mercado e intermediários da autarquia, Waldir de Jesus Nobre. Ele lembrou que, pelas ações da estatal estarem entre as mais importantes do pregão, a CVM acompanha muito de perto seu desempenho no dia-a-dia e os filtros são bem mais apertados do que os de outros papéis. Mesmo sem nenhum indício de anormalidade, a autarquia irá pedir para a Bovespa o nome de todos os investidores que compraram ou venderam papéis da Petrobras nas últimas três semanas. "A nossa maior preocupação é, obviamente, com quem comprou", afirmou Nobre. Essa análise irá englobar o comportamento dos papéis durante os dias da viagem do presidente Lula com os governadores.






Segundo o chefe de análise da consultoria CMA, Luiz Francisco Rogé Ferreira, também não houve uma negociação anormal de opções (direito de comprar ou vender ações a um determinado preço, numa data pré-estabelecida) da Petrobras na semana passada. "Houve apenas na quinta-feira (dia do anúncio) uma correria de investidores comprando as ações para cobrir suas posições a descoberto (vender o papel sem tê-lo), antes que o papel subisse ainda mais", disse Rogé. Para ele, se tivesse havido o uso de informação privilegiada, as ações não teriam subido 14% no dia do anúncio. Elas teriam se valorizado bastante alguns dias antes.


Apesar dessa crença, a situação, no mínimo, torna público os erros de governança corporativa que a estatal vêm cometendo, juntamente com o seu maior acionista, o governo. "A governança vem se deteriorando nos últimos quatro anos, além de a companhia ser usada como instrumento de política pública", afirmou o professor de finanças da USP e especialista em governança Alexandre Di Miceli. Para o professor do Instituto Coppead André Carvalhal, o ideal seria a Petrobras ter feito toda a divulgação após o fechamento da bolsa, para influenciar as ações só no dia seguinte. "A situação deve provocar um constrangimento para a CVM, que terá de julgar o ato do presidente Lula que, em última instância, é quem nomeia o presidente da autarquia", avaliou um gestor.

Por Daniele Camba
Fonte: Valor Online em 12/11/2007

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