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sexta-feira

Lucro da Natura cai 12% e ação despenca na Bovespa


A Natura decepcionou o mercado ontem ao divulgar os resultados do terceiro trimestre. As ações tiveram a queda mais expressiva do dia, de 5,91%. No ano, a empresa de cosméticos acumula a quinta maior baixa: 25,32% para uma alta de 40,18% do Ibovespa.

A trajetória de queda no lucro começou no final de 2006. Este ano, depois de recuar 1,6% no primeiro trimestre, estabilizar no segundo, a Natura divulgou queda de 12,1% no terceiro trimestre deste ano. Nos primeiros nove meses do ano, a queda é de 5% em relação a igual período do ano passado.

Desta vez, porém, além da redução do lucro, a empresa reportou - pela primeira vez - outros resultados negativos, como a redução de 2,3% no resultado operacional, uma leve queda de market share no primeiro semestre, (de 22,8% em 2006 para 22,5% este ano), além de uma diminuição de 5,9% da produtividade por consultora, que ficou em R$ 2,9 mil. "O resultado foi fraco e ficou muito abaixo das expectativas", afirma Diana Litewski, analista da Ativa Corretora. "Eles estão claramente com dificuldades em relação à competição", completa.

A empresa, que desde o começo do ano elegeu a margem operacional de 2006, de 23,7%, como alvo para este ano, acaba de anunciar que reduziu a meta para 22,7%. "Isso não é nada bom, principalmente porque a margem do ano passado já tinha sido baixa em função dos resultados do quarto trimestre", diz Diana.

Por conta da redução nas vendas, a Natura, pela primeira vez, anunciou pontualmente cada uma das medidas que está tomando para recuperar os resultados e retomar o crescimento no Brasil. "Passamos por uma primeira fase de crescimento acelerado e agora estamos em um segundo ciclo de vendas abaixo das expectativas", afirmou David Uba, diretor de relações com investidores da Natura.

A Natura divulgou que a empresa será dividida em três unidades autônomas - Brasil, América Latina e unidade em implantação, composta por França e Estados Unidos. A Rússia, que ao lado dos Estados Unidos havia sido anunciada como um mercado de interesse da Natura, saiu temporariamente dos planos.

A empresa também anunciou que as áreas de inovação, marketing e vendas passam a se reportar diretamente ao presidente da companhia, Alessandro Carlucci. Antes, havia um nível hierárquico entre eles e, segundo Uba, as áreas não estavam tão próximas do dia-a-dia da empresa. Outra mudança foi a redução do número de lançamentos. Em 2006 a Natura lançou 225 tipos de produtos. A intenção é reduzir esse número entre 40% e 45%. "Embora o custo de lançamento seja menor do que no varejo tradicional, aprendemos com a prática que deveríamos reduzir e ter mais foco", disse Uba.

Outras medidas, como aumento do investimento em marketing, descentralização e a criação de uma consultora-orientadora para cada 135 revendedoras, já haviam sido anunciadas, mas foram reforçadas. Perguntado sobre a pressão do mercado, Uba disse "não estamos preocupados com fatores externos, mas internos". Mas para o analista do ABN-Amro Pedro Galdi, o mercado vai continuar penalizando a Natura. "Enquanto não reverter o resultado, os acionistas não vão entrar no papel."

Fonte: Valor Online em 23/10/2007
Por Daniela D'Ambrosio

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